domingo, 8 de agosto de 2010

Brincar.
Sentir o mundo, os objetos, quem está ao redor.
E ser capaz de representar, pôr a fantasia em circulação.
Com regras?
Sim.
Mesmo a mais solitária das brincadeiras tem seus acordos.
Faz parte do jogo.
Os sentimentos passeiam, se tocam, se deixam pegar sem medo.
Afinal

A falha, as negativas, a necessidade de alcançar
Tudo chega com a intensidade
E ainda a fluidez daquilo que pode ir embora quando se muda o trato.

Eu não quis brincar?
Desejei a tarde sob o sol no quintal
O choro pontual de quem vê o novo sonho logo ali

Eu não quis jogar.
Pensei ser capaz de levar a sério e crescer diante do branco
Torná-lo meu, mostrar minha penumbra de tal forma
Que ele a desejasse.

As marcas do pilão foram deixadas.
Eu não quis brincar.
Diante de mim, somente a grande árvore
Incólume ao meu desejo

Ponho meu corpo no chão
Sinto a terra
Como aquilo que me constrói
E que agora me convoca.
Com desejo, temor, euforia, paixão
Completude

E mesmo a pretensa racionalidade do menino que sobrevive ao rio.

Sem abandono
E diante daquilo que não compreendo
Preservo, mantenho-o vivo.

Em meio à certeza do pensamento
Me entrego ao salto no escuro

Dessa vez, é tudo.




quarta-feira, 12 de maio de 2010

Encomenda

Chega a ser esquisito.
Chega? Chega nada. É.
E às vezes tudo o que se quer é isso:

"um verso simples
pra transformar o que eu digo"

Bebel e o menino esboçam um sorriso
E me olham
Ali
Subindo a serra
Tentando encaixar as palavras no sonho carnudo

Por que, afinal, temos que positivar tudo?
Não seria bom apenas sorrir e levitar?
Ou seriam os temores um bom terreno?








Droga! Eu não sei mesmo fazer poesia.

Mas amo.
E acho que isso conta.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Sorriso de quase nuvem
Ações afirmativas

Pra mim.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Um simples "não" desfaz o sonho.
No meio do palacete estava eu, nua, desesperada.
Por que tanta mentira? Pela estética?
Ora! Faça-me o favor!
Não há beleza na miséria.

Uma justificativa, um olhar,
Qualquer coisa que tornasse meu horizonte menos disforme.

Agora chega. Tchau.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Cabernet

Deito no chão.
Fecho os olhos tentando editar cada detalhe da noite 13.
Passa
"De dia 20 não passa!" - grita a mocinha dentro da gaiola.
Mas bate o mesmo som, o cheiro dos azulejos, os pêlos. Como Dora, criou os maiores e mais pavorosos monstros para afugentar o beliscar adolescente.
A angústia, a escada, o sereno: algo de transparente e belo escorre; borbulha sem que nada mais possa ser feito.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Tudo começa a cansar, o cheiro do corpo começa a dar preguiça.
Explodem na fantasia as folhas, os cachos.
O caminhar, destinado e desmedido.
... Seria mesmo preciso saber aonde ir para chegar?


Em meio a todas as ansiedades e diante da impaciência com o tempo alheio, vejo a brisa morena de mais uma terça. Preciso registrar, mas que se foda!
Tudo muda de lugar quando aquilo irrompe.

E ele vem: macio e imponente, leve e misterioso, incisivo e enluarado brincar no meu quintal.
[ Como seria se eu fugisse naquele trem, mergulhasse nas palavras ao invés de viver para interpretá-las?]

E se abre; desejo lamber, mordar, testar.
Não sei se posso devorá-lo, grudá-lo à minha carne a tal ponto que a membrana já não faça diferença.
Corro. Mais tarde se vê.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Eu preciso achar o caminho de volta.