Tudo começa a cansar, o cheiro do corpo começa a dar preguiça.
Explodem na fantasia as folhas, os cachos.
O caminhar, destinado e desmedido.
... Seria mesmo preciso saber aonde ir para chegar?
Em meio a todas as ansiedades e diante da impaciência com o tempo alheio, vejo a brisa morena de mais uma terça. Preciso registrar, mas que se foda!
Tudo muda de lugar quando aquilo irrompe.
E ele vem: macio e imponente, leve e misterioso, incisivo e enluarado brincar no meu quintal.
[ Como seria se eu fugisse naquele trem, mergulhasse nas palavras ao invés de viver para interpretá-las?]
E se abre; desejo lamber, mordar, testar.
Não sei se posso devorá-lo, grudá-lo à minha carne a tal ponto que a membrana já não faça diferença.
Corro. Mais tarde se vê.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
dentro
Acordei procurando pela poesia perfeita e pela melodia irretocável. Quis desenhar a caverna mais confortável, dentro da qual eu pudesse com toda segurança revirar organizar e novamente espalhar tudo o que fervilha nos interstícios. As saudades prematuras, a insegurança diante de tudo que me aguarda indiferentemente atrás da janela... Porra!
Pude chorar, não por melancolia ou desespero, mas por ter conseguido olhar as minhas próprias carências e assumi-las sem que isso me parecesse uma amputação. Sim, era eu e jogar fora havia finalmente deixado de ser um imperativo. Tenho devaneios, ansiedades, paixões. Afinal, que mal há nisso?
Um telefonema pareceu uma boa idéia. Desconexo, é certo, mas isso não me preocupa. Acredito que as retas já se traçaram de tal forma que, por mais densas que sejam as palavras, não seriam elas capazes de descartar aquilo que se consolidou para além de qualquer vontade ou controle.
(sim. é pra você)
Pude chorar, não por melancolia ou desespero, mas por ter conseguido olhar as minhas próprias carências e assumi-las sem que isso me parecesse uma amputação. Sim, era eu e jogar fora havia finalmente deixado de ser um imperativo. Tenho devaneios, ansiedades, paixões. Afinal, que mal há nisso?
Um telefonema pareceu uma boa idéia. Desconexo, é certo, mas isso não me preocupa. Acredito que as retas já se traçaram de tal forma que, por mais densas que sejam as palavras, não seriam elas capazes de descartar aquilo que se consolidou para além de qualquer vontade ou controle.
(sim. é pra você)
quarta-feira, 29 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
Enjoy the silence
As horas correram e a semana parece mais um apanhado de fotografias amareladas. Lindas e retocadas pelos dedos que apenas a imperfeição pode deslizar.
Preciso entender, repaginar, recriar a maldita linearidade.
Que venham os dias com toda a sua sonolência! Assim, quem sabe, por contraste visual ele vença.
Preciso entender, repaginar, recriar a maldita linearidade.
Que venham os dias com toda a sua sonolência! Assim, quem sabe, por contraste visual ele vença.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
No escuro
Não entendi, continuo sem entender e talvez jamais entenda.
Dentes, unhas, cílios, pernas.
Desejos, t(r)emores, a escuta já inebriada pelo compasso incessante e delicioso que orientava meus passos... A obscuridade era tamanha que eu já não podia mais esperar por definições. As horas brincam diante de mim ao mesmo tempo que me convidam a mudar o foco. O olhar, porém, mantém sua estática, de tal maneira que mais uma vez eu já não conseguisse ver mais nada além.
Mas é pouco. Percebo que a redoma foi colocada por e apenas por mim e que o bege me escapa. Desaparece, enlouquece, até que ressurgem finalmente os olhos infantis por trás da cortina. Vem o alívio e novamente a incerteza impõe o caos.
Questiono, busco, espero. O tempo continua a deslizar e a ilusão, enfim, acaba por se desfazer.
A vontade não cessa.
Dentes, unhas, cílios, pernas.
Desejos, t(r)emores, a escuta já inebriada pelo compasso incessante e delicioso que orientava meus passos... A obscuridade era tamanha que eu já não podia mais esperar por definições. As horas brincam diante de mim ao mesmo tempo que me convidam a mudar o foco. O olhar, porém, mantém sua estática, de tal maneira que mais uma vez eu já não conseguisse ver mais nada além.
Mas é pouco. Percebo que a redoma foi colocada por e apenas por mim e que o bege me escapa. Desaparece, enlouquece, até que ressurgem finalmente os olhos infantis por trás da cortina. Vem o alívio e novamente a incerteza impõe o caos.
Questiono, busco, espero. O tempo continua a deslizar e a ilusão, enfim, acaba por se desfazer.
A vontade não cessa.
terça-feira, 23 de junho de 2009
De quem?
Parece que terei de abrir mão de vez da previsibilidade. A ordem do vazio havia me dado alguma consolidação, uma espécie de piso (um tanto insosso, é certo) de derrapância insignificante, porém tão bege e confortável que não mostrava necessidade alguma de reagir por outras vias.
Foi.
Queria eu poder esmiuçar, fragmentar em níveis quase microscópicos essa estranha e sedosa experiência, a tal ponto que ela já não me apavorasse. A espera por notícias, madrugadas; a ilusão de que a fera que se esconde do outro lado do oceano não será capaz de me afastar de vez dessa nova necessidade... O sofrimento alheio esmurra a porta e tudo o que consigo desenhar se resume às lendas despedaçadas de momentos atrás.
Mais um dia, mais uma viagem. Os joelhos recostados começam a adormecer e, sem que eu possa reagir, a gargalhada, as coincidências e a mágica manhã pré-canceriana invadem e dominam tudo aquilo que antes eu poderia (ou pelo menos tentava) chamar de meu. Agora é simplesmente nosso.
Foi.
Queria eu poder esmiuçar, fragmentar em níveis quase microscópicos essa estranha e sedosa experiência, a tal ponto que ela já não me apavorasse. A espera por notícias, madrugadas; a ilusão de que a fera que se esconde do outro lado do oceano não será capaz de me afastar de vez dessa nova necessidade... O sofrimento alheio esmurra a porta e tudo o que consigo desenhar se resume às lendas despedaçadas de momentos atrás.
Mais um dia, mais uma viagem. Os joelhos recostados começam a adormecer e, sem que eu possa reagir, a gargalhada, as coincidências e a mágica manhã pré-canceriana invadem e dominam tudo aquilo que antes eu poderia (ou pelo menos tentava) chamar de meu. Agora é simplesmente nosso.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O começo é sempre muito complicado, mas a sensação de engasgo, do pré-colapso, fez perceber a necessidade de falar um pouco. Com muitas dúvidas e poucas razões, comecei a caminhar por entre os carros estacionados -à espera de...? - desviando das linhas amarelas e das minhas próprias fronteiras que já começavam a me incomodar. Havia pessoas que me fazem sorrir logo ali, tão próximas e tão embebidas na exata alegria que eu precisava... Mas eu fugi. De alguma forma, eu precisava me desvencilhar daquele labirinto de aço.
O céu nublado, os resquícios da chuva, a solidão... Tudo perfeito para uma bela e digna performance depressiva. Não rolou. A minha angústia era tal que nem ao menos me afundar no tédio melancólico me era possível. Vontade de ser invadida, amada, devorada por inteiro; conseguir finalmente a quentura e o abismo do interior daquele corpo que eu tanto desejava. As pessoas continuavam a passar e o labirinto ia tomando outras formas (ainda que tão entediantes quanto...). E eu ali, esperando que aquela figura brotasse do concreto e me fagocitasse. O sangue, a carne e a vermelhidão capazes de me dar algum sossego eram praticamente inatingíveis.
Tão fragmentada, tão pobre. Que tipo de ser é esse que se recusa a olhar de fora, a ver por inteiro? Que exige e impõe e se humilha e se consola? Que raio de criatura expera por algo e quando começa a esboçar uma imagem prefere a montanha enferrujada a defrontar-se com esse retrato, retirá-lo do papel e torná-lo finalmente algo que seja capaz de amar?
Amar ? Criar um altar? Afinal, interessa esse desejo que foge do meu, que nada tem a ver com ele, mas que habita o meu sono e que dá tom a tudo que me habita? Fico mais uma vez sem saber se realmente passei a outro lugar. Talvez fosse melhor apagar, voltar atrás, correr para alguma ordem.
Melhor ficar com as desculpas.
O céu nublado, os resquícios da chuva, a solidão... Tudo perfeito para uma bela e digna performance depressiva. Não rolou. A minha angústia era tal que nem ao menos me afundar no tédio melancólico me era possível. Vontade de ser invadida, amada, devorada por inteiro; conseguir finalmente a quentura e o abismo do interior daquele corpo que eu tanto desejava. As pessoas continuavam a passar e o labirinto ia tomando outras formas (ainda que tão entediantes quanto...). E eu ali, esperando que aquela figura brotasse do concreto e me fagocitasse. O sangue, a carne e a vermelhidão capazes de me dar algum sossego eram praticamente inatingíveis.
Tão fragmentada, tão pobre. Que tipo de ser é esse que se recusa a olhar de fora, a ver por inteiro? Que exige e impõe e se humilha e se consola? Que raio de criatura expera por algo e quando começa a esboçar uma imagem prefere a montanha enferrujada a defrontar-se com esse retrato, retirá-lo do papel e torná-lo finalmente algo que seja capaz de amar?
Amar ? Criar um altar? Afinal, interessa esse desejo que foge do meu, que nada tem a ver com ele, mas que habita o meu sono e que dá tom a tudo que me habita? Fico mais uma vez sem saber se realmente passei a outro lugar. Talvez fosse melhor apagar, voltar atrás, correr para alguma ordem.
Melhor ficar com as desculpas.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Já não sei mais como fazer isso...
Apaga-se novamente, e mais uma vez.
Me falta o compasso. Método? Nunca tive...
Tento desistir: o coice, o romper dos pontos já tão mal consolidados.
Quem dera a retidão do temor me acompanhasse todo o tempo... Mas junto a ela irrompe o labirinto de sorrisos, mãos, o esverdeado que faz perder a conta e derrama ladeira abaixo as parcas certezas criadas em horas de devaneios.
Posso? Mereço? Desejo.
Apaga-se novamente, e mais uma vez.
Me falta o compasso. Método? Nunca tive...
Tento desistir: o coice, o romper dos pontos já tão mal consolidados.
Quem dera a retidão do temor me acompanhasse todo o tempo... Mas junto a ela irrompe o labirinto de sorrisos, mãos, o esverdeado que faz perder a conta e derrama ladeira abaixo as parcas certezas criadas em horas de devaneios.
Posso? Mereço? Desejo.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Coisas da Vila
Eu, aguardando uma pessoa. Naquelas situações em que você não sabe qual meio de transporte a criatura se encontra, fazendo com que você fique olhando para todos os lados, talvez descartando os bueiros (quer dizer...). Estou com uma caixa de papelão com um pudim de leite condensado diet apoiado em uma mesinha de bar onde eu me mantinha para passar o tempo. Sério.
Um senhor se aproxima de mim. Feições rosadas e uma sensação de alívio que me fez pensar no que diabos ele tinha usado. Quem poderia, afinal, estar tão satisfeito numa quinta às 19h? Ele me pergunta se posso ficar com a neta dele enquanto ele ia ao banheiro. Meio sem saber o que fazer, aceito. O avô risonho deixa a menina, uma mochila e uma espécie de teletubie (ok, eu não sei escrever isso) de pelúcia. Começo então a (me) distrair a menina, já que nos meus devaneios paranóicos e com o meu arsenal "Aguinaldo Silva" debaixo do braço, eu já me preparava para a possibilidade de ter ganhado uma criança de presente. O tempo passa, a menina de quase dois anos começa a chorar e o pudim a sacudir sobre a mesa, que bambeava sobre pedras portugesas.
Quando eu já estava começando a ficar efetivamente preocupada, o avô ainda mais sorridente - se é que isso é possível - reaparece com duas latas de cerveja nas mãos. Me oferece uma e pergunta e diz que eu sumi de um bar próximo à minha casa e de onde ele dizia me conhecer. Diante da minha resposta de elevador, ele sorri, agradece e parte com a menina, que naquele momento já era quase minha melhor amiga. A cerveja fica e eu continuo a esperar. Sabe-se lá até quando.
Um senhor se aproxima de mim. Feições rosadas e uma sensação de alívio que me fez pensar no que diabos ele tinha usado. Quem poderia, afinal, estar tão satisfeito numa quinta às 19h? Ele me pergunta se posso ficar com a neta dele enquanto ele ia ao banheiro. Meio sem saber o que fazer, aceito. O avô risonho deixa a menina, uma mochila e uma espécie de teletubie (ok, eu não sei escrever isso) de pelúcia. Começo então a (me) distrair a menina, já que nos meus devaneios paranóicos e com o meu arsenal "Aguinaldo Silva" debaixo do braço, eu já me preparava para a possibilidade de ter ganhado uma criança de presente. O tempo passa, a menina de quase dois anos começa a chorar e o pudim a sacudir sobre a mesa, que bambeava sobre pedras portugesas.
Quando eu já estava começando a ficar efetivamente preocupada, o avô ainda mais sorridente - se é que isso é possível - reaparece com duas latas de cerveja nas mãos. Me oferece uma e pergunta e diz que eu sumi de um bar próximo à minha casa e de onde ele dizia me conhecer. Diante da minha resposta de elevador, ele sorri, agradece e parte com a menina, que naquele momento já era quase minha melhor amiga. A cerveja fica e eu continuo a esperar. Sabe-se lá até quando.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
origami...

O hiato durou mais do que o planejado. Fevereiro teve a fertilidade que merecia: taróis, calçadas, capítulos, rizom(?)as, medo do dia seguinte e outras coisas que povoam esses períodos de inércia. Sem reclamações, por favor, apenas justificativas...
Tá!
Em meio ao armário pelo avesso cotidiano, encontro então algo que desperta meu interesse. Estava ali, por inteiro, sabe Deus por quanto tempo... Rabiscos e traçados desconjuntados que me deixaram ainda mais intrigada. Mesmo assim me pareceu possível tentar dar alguma forma.
Ai, como eu queria que ela explodisse aos meus olhos, estridente, desesperada!
Mas ela se esconde, me transporta aos dez anos e o medo do movimento errado, do vinco estúpido... O que eu faço com isso? Acabo me atrasando, começo a achar que os horários já tão bem estabelecidos não fazem mais tanto sentido. Posso tomar uma água?
Aterrissando. O tato, já amedrontado e (re)disciplinado, me deixa às voltas com mil lacunas que acabam por deixar meu encontro com a folha pra outro dia...
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Os dias escorreram e se fundiram com os lugares... "Tenho que escrever isso!". A todo momento explodia a sentença.
Agora dá? Na fronteira? Definitivamente nao. 40 dólares a menos e a cabeça inebriada, pasma e faminta tenta se distrair com os novos ares. E entao, no silencio, Cuenca se espalha diante de mim com as peças em um encaixe que qualquer lógica ficaria longe de conceber. Queria eu viver em um lugar daquele mesmo crepom.
Baños. Quito. As pernas nao param mesmo. Os hemisférios se escondem do meu saltitar.
A terminar...
Agora dá? Na fronteira? Definitivamente nao. 40 dólares a menos e a cabeça inebriada, pasma e faminta tenta se distrair com os novos ares. E entao, no silencio, Cuenca se espalha diante de mim com as peças em um encaixe que qualquer lógica ficaria longe de conceber. Queria eu viver em um lugar daquele mesmo crepom.
Baños. Quito. As pernas nao param mesmo. Os hemisférios se escondem do meu saltitar.
A terminar...
domingo, 11 de janeiro de 2009
E foi.
Copacabana. Cusco. Aguas Calientes - Machu Picchu. Cusco. Lima. Trujillo.
Montanhas, escadas, tremores. O riso frouxo da fotografia continua ali.
"Chegar, sorrir
Mentir feito um mascate
Quando desce na estação
Parar, ouvir
Sentir que tatibitati
Que bate o coração
Mais um dia, mais uma cidade
Para enlouquecer
O bem-querer
O turbilhão"
Vontade de falar e vazio no dizer. Dá nisso.
Montanhas, escadas, tremores. O riso frouxo da fotografia continua ali.
"Chegar, sorrir
Mentir feito um mascate
Quando desce na estação
Parar, ouvir
Sentir que tatibitati
Que bate o coração
Mais um dia, mais uma cidade
Para enlouquecer
O bem-querer
O turbilhão"
Vontade de falar e vazio no dizer. Dá nisso.
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