A verdade é que eu sinto falta.
Da barba, do cigarro
Do jeans amarrotado
Da cerveja e do metal
Sinto falta.
Da voz rouca
Do riso contido na fotografia
Do beijo na chuva
Das doze badaladas
Do formigamento
Da gargalhada gratuita
Do reflexo na íris envidraçada
Ah! Eu sinto falta!
Paciência.
Meio (a) termo
Contorno dado
Escrito, escroto, escarrado.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
domingo, 8 de agosto de 2010
Brincar.
Sentir o mundo, os objetos, quem está ao redor.
E ser capaz de representar, pôr a fantasia em circulação.
Com regras?
Sim.
Mesmo a mais solitária das brincadeiras tem seus acordos.
Faz parte do jogo.
Os sentimentos passeiam, se tocam, se deixam pegar sem medo.
Afinal
A falha, as negativas, a necessidade de alcançar
Tudo chega com a intensidade
E ainda a fluidez daquilo que pode ir embora quando se muda o trato.
Eu não quis brincar?
Desejei a tarde sob o sol no quintal
O choro pontual de quem vê o novo sonho logo ali
Eu não quis jogar.
Pensei ser capaz de levar a sério e crescer diante do branco
Torná-lo meu, mostrar minha penumbra de tal forma
Que ele a desejasse.
As marcas do pilão foram deixadas.
Eu não quis brincar.
Diante de mim, somente a grande árvore
Incólume ao meu desejo
Ponho meu corpo no chão
Sinto a terra
Como aquilo que me constrói
E que agora me convoca.
Com desejo, temor, euforia, paixão
Completude
E mesmo a pretensa racionalidade do menino que sobrevive ao rio.
Sem abandono
E diante daquilo que não compreendo
Preservo, mantenho-o vivo.
Em meio à certeza do pensamento
Me entrego ao salto no escuro
Dessa vez, é tudo.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Encomenda
Chega a ser esquisito.
Chega? Chega nada. É.
E às vezes tudo o que se quer é isso:
"um verso simples
pra transformar o que eu digo"
Bebel e o menino esboçam um sorriso
E me olham
Ali
Subindo a serra
Tentando encaixar as palavras no sonho carnudo
Por que, afinal, temos que positivar tudo?
Não seria bom apenas sorrir e levitar?
Ou seriam os temores um bom terreno?
Droga! Eu não sei mesmo fazer poesia.
Mas amo.
E acho que isso conta.
Chega? Chega nada. É.
E às vezes tudo o que se quer é isso:
"um verso simples
pra transformar o que eu digo"
Bebel e o menino esboçam um sorriso
E me olham
Ali
Subindo a serra
Tentando encaixar as palavras no sonho carnudo
Por que, afinal, temos que positivar tudo?
Não seria bom apenas sorrir e levitar?
Ou seriam os temores um bom terreno?
Droga! Eu não sei mesmo fazer poesia.
Mas amo.
E acho que isso conta.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Cabernet
Deito no chão.
Fecho os olhos tentando editar cada detalhe da noite 13.
Passa
"De dia 20 não passa!" - grita a mocinha dentro da gaiola.
Mas bate o mesmo som, o cheiro dos azulejos, os pêlos. Como Dora, criou os maiores e mais pavorosos monstros para afugentar o beliscar adolescente.
A angústia, a escada, o sereno: algo de transparente e belo escorre; borbulha sem que nada mais possa ser feito.
Fecho os olhos tentando editar cada detalhe da noite 13.
Passa
"De dia 20 não passa!" - grita a mocinha dentro da gaiola.
Mas bate o mesmo som, o cheiro dos azulejos, os pêlos. Como Dora, criou os maiores e mais pavorosos monstros para afugentar o beliscar adolescente.
A angústia, a escada, o sereno: algo de transparente e belo escorre; borbulha sem que nada mais possa ser feito.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Tudo começa a cansar, o cheiro do corpo começa a dar preguiça.
Explodem na fantasia as folhas, os cachos.
O caminhar, destinado e desmedido.
... Seria mesmo preciso saber aonde ir para chegar?
Em meio a todas as ansiedades e diante da impaciência com o tempo alheio, vejo a brisa morena de mais uma terça. Preciso registrar, mas que se foda!
Tudo muda de lugar quando aquilo irrompe.
E ele vem: macio e imponente, leve e misterioso, incisivo e enluarado brincar no meu quintal.
[ Como seria se eu fugisse naquele trem, mergulhasse nas palavras ao invés de viver para interpretá-las?]
E se abre; desejo lamber, mordar, testar.
Não sei se posso devorá-lo, grudá-lo à minha carne a tal ponto que a membrana já não faça diferença.
Corro. Mais tarde se vê.
Explodem na fantasia as folhas, os cachos.
O caminhar, destinado e desmedido.
... Seria mesmo preciso saber aonde ir para chegar?
Em meio a todas as ansiedades e diante da impaciência com o tempo alheio, vejo a brisa morena de mais uma terça. Preciso registrar, mas que se foda!
Tudo muda de lugar quando aquilo irrompe.
E ele vem: macio e imponente, leve e misterioso, incisivo e enluarado brincar no meu quintal.
[ Como seria se eu fugisse naquele trem, mergulhasse nas palavras ao invés de viver para interpretá-las?]
E se abre; desejo lamber, mordar, testar.
Não sei se posso devorá-lo, grudá-lo à minha carne a tal ponto que a membrana já não faça diferença.
Corro. Mais tarde se vê.
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