segunda-feira, 1 de junho de 2009

O começo é sempre muito complicado, mas a sensação de engasgo, do pré-colapso, fez perceber a necessidade de falar um pouco. Com muitas dúvidas e poucas razões, comecei a caminhar por entre os carros estacionados -à espera de...? - desviando das linhas amarelas e das minhas próprias fronteiras que já começavam a me incomodar. Havia pessoas que me fazem sorrir logo ali, tão próximas e tão embebidas na exata alegria que eu precisava... Mas eu fugi. De alguma forma, eu precisava me desvencilhar daquele labirinto de aço.

O céu nublado, os resquícios da chuva, a solidão... Tudo perfeito para uma bela e digna performance depressiva. Não rolou. A minha angústia era tal que nem ao menos me afundar no tédio melancólico me era possível. Vontade de ser invadida, amada, devorada por inteiro; conseguir finalmente a quentura e o abismo do interior daquele corpo que eu tanto desejava. As pessoas continuavam a passar e o labirinto ia tomando outras formas (ainda que tão entediantes quanto...). E eu ali, esperando que aquela figura brotasse do concreto e me fagocitasse. O sangue, a carne e a vermelhidão capazes de me dar algum sossego eram praticamente inatingíveis.

Tão fragmentada, tão pobre. Que tipo de ser é esse que se recusa a olhar de fora, a ver por inteiro? Que exige e impõe e se humilha e se consola? Que raio de criatura expera por algo e quando começa a esboçar uma imagem prefere a montanha enferrujada a defrontar-se com esse retrato, retirá-lo do papel e torná-lo finalmente algo que seja capaz de amar?

Amar ? Criar um altar? Afinal, interessa esse desejo que foge do meu, que nada tem a ver com ele, mas que habita o meu sono e que dá tom a tudo que me habita? Fico mais uma vez sem saber se realmente passei a outro lugar. Talvez fosse melhor apagar, voltar atrás, correr para alguma ordem.

Melhor ficar com as desculpas.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Já não sei mais como fazer isso...
Apaga-se novamente, e mais uma vez.
Me falta o compasso. Método? Nunca tive...
Tento desistir: o coice, o romper dos pontos já tão mal consolidados.
Quem dera a retidão do temor me acompanhasse todo o tempo... Mas junto a ela irrompe o labirinto de sorrisos, mãos, o esverdeado que faz perder a conta e derrama ladeira abaixo as parcas certezas criadas em horas de devaneios.

Posso? Mereço? Desejo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Coisas da Vila

Eu, aguardando uma pessoa. Naquelas situações em que você não sabe qual meio de transporte a criatura se encontra, fazendo com que você fique olhando para todos os lados, talvez descartando os bueiros (quer dizer...). Estou com uma caixa de papelão com um pudim de leite condensado diet apoiado em uma mesinha de bar onde eu me mantinha para passar o tempo. Sério.

Um senhor se aproxima de mim. Feições rosadas e uma sensação de alívio que me fez pensar no que diabos ele tinha usado. Quem poderia, afinal, estar tão satisfeito numa quinta às 19h? Ele me pergunta se posso ficar com a neta dele enquanto ele ia ao banheiro. Meio sem saber o que fazer, aceito. O avô risonho deixa a menina, uma mochila e uma espécie de teletubie (ok, eu não sei escrever isso) de pelúcia. Começo então a (me) distrair a menina, já que nos meus devaneios paranóicos e com o meu arsenal "Aguinaldo Silva" debaixo do braço, eu já me preparava para a possibilidade de ter ganhado uma criança de presente. O tempo passa, a menina de quase dois anos começa a chorar e o pudim a sacudir sobre a mesa, que bambeava sobre pedras portugesas.

Quando eu já estava começando a ficar efetivamente preocupada, o avô ainda mais sorridente - se é que isso é possível - reaparece com duas latas de cerveja nas mãos. Me oferece uma e pergunta e diz que eu sumi de um bar próximo à minha casa e de onde ele dizia me conhecer. Diante da minha resposta de elevador, ele sorri, agradece e parte com a menina, que naquele momento já era quase minha melhor amiga. A cerveja fica e eu continuo a esperar. Sabe-se lá até quando.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Quem é ele?

Grita.
Explica.
Explode.
Desaba.

Porque eu ainda não sei...

terça-feira, 10 de março de 2009

origami...

















O hiato durou mais do que o planejado. Fevereiro teve a fertilidade que merecia: taróis, calçadas, capítulos, rizom(?)as, medo do dia seguinte e outras coisas que povoam esses períodos de inércia. Sem reclamações, por favor, apenas justificativas...

Tá!

Em meio ao armário pelo avesso cotidiano, encontro então algo que desperta meu interesse. Estava ali, por inteiro, sabe Deus por quanto tempo... Rabiscos e traçados desconjuntados que me deixaram ainda mais intrigada. Mesmo assim me pareceu possível tentar dar alguma forma.

Ai, como eu queria que ela explodisse aos meus olhos, estridente, desesperada!

Mas ela se esconde, me transporta aos dez anos e o medo do movimento errado, do vinco estúpido... O que eu faço com isso? Acabo me atrasando, começo a achar que os horários já tão bem estabelecidos não fazem mais tanto sentido. Posso tomar uma água?

Aterrissando. O tato, já amedrontado e (re)disciplinado, me deixa às voltas com mil lacunas que acabam por deixar meu encontro com a folha pra outro dia...

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Os dias escorreram e se fundiram com os lugares... "Tenho que escrever isso!". A todo momento explodia a sentença.

Agora dá? Na fronteira? Definitivamente nao. 40 dólares a menos e a cabeça inebriada, pasma e faminta tenta se distrair com os novos ares. E entao, no silencio, Cuenca se espalha diante de mim com as peças em um encaixe que qualquer lógica ficaria longe de conceber. Queria eu viver em um lugar daquele mesmo crepom.

Baños. Quito. As pernas nao param mesmo. Os hemisférios se escondem do meu saltitar.

A terminar...

domingo, 11 de janeiro de 2009

E foi.

Copacabana. Cusco. Aguas Calientes - Machu Picchu. Cusco. Lima. Trujillo.
Montanhas, escadas, tremores. O riso frouxo da fotografia continua ali.

"Chegar, sorrir
Mentir feito um mascate
Quando desce na estação
Parar, ouvir
Sentir que tatibitati
Que bate o coração
Mais um dia, mais uma cidade
Para enlouquecer
O bem-querer
O turbilhão"

Vontade de falar e vazio no dizer. Dá nisso.