terça-feira, 2 de julho de 2013

Repositório

Arquivo.
Morto, Vivo. Enjaulado.

Diante de tantas janelas abertas,
Escancaradas, escorregadias, esporrentas.
Quem seria eu para me aventurar?
Eram canções, poemas, tarefas.
Recortes a prazo.
Delírios pré-pagos.

Pisei fundo.
Doí em suas costas.
Fantasiei-me de presente
Branca, enorme, inerte
Inteira como o freezer
Um botequim no meio da cozinha amarela
Despedaçada como Vênus
Excessiva e mortal.

Uma Inhaúma sem sol exige retratações.
Recortei-a para que coubesse e sobrasse
Me invadisse
Gostasse
Deitasse no sofá descarnado
A posteriori. Ad eternum.

Sem os muros da instituição, criei as citações
        a robustez do filósofo
        a agudeza psicanalítica
        o amor intragável.
        a estupidez elíptica.

Chovia durante semanas.
Elas escoravam e levavam embora o que sobrava
Desacompanhada da glaciosidade de Cícero
Às voltas de uma despedida sem foguete
Como o trem de Sorôco
Caí no gélido chão do pop australiano
Nos braços de uma canadense embriagada.


"And I said,´Constantly in the darkness
Where's that at?
If you want me I'll be in the bar.´"


Referências.
Redigi-as uma a uma.
Num ritual agnóstico
À espera do sacrifício do cordeiro
De uma resposta
Um milagre.

Nos braços de Oxum pus-me a chorar
Cerquei-me de palhas
Com medo do fogo, é certo
Mas com certeza de que a tempestada haveria de passar.

Não.
Ainda me devo essa.

Meu corpo cai do oitavo andar,
mas não consigo pensar na solidão ao lado.
Menos ainda no rapaz requebrante,estático ou qualquer outro troço.
Teria eu me tornado uma graciosa geladeira?
Acho que isso a tempestade permitiu
Num silêncio que explode qualquer madrugada.


 Em meio ao nada,
continuo amando.
"Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo."



2 comentários:

A VIDA NUMA GOA disse...

fueda

A VIDA NUMA GOA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.