terça-feira, 23 de junho de 2009

De quem?

Parece que terei de abrir mão de vez da previsibilidade. A ordem do vazio havia me dado alguma consolidação, uma espécie de piso (um tanto insosso, é certo) de derrapância insignificante, porém tão bege e confortável que não mostrava necessidade alguma de reagir por outras vias.

Foi.

Queria eu poder esmiuçar, fragmentar em níveis quase microscópicos essa estranha e sedosa experiência, a tal ponto que ela já não me apavorasse. A espera por notícias, madrugadas; a ilusão de que a fera que se esconde do outro lado do oceano não será capaz de me afastar de vez dessa nova necessidade... O sofrimento alheio esmurra a porta e tudo o que consigo desenhar se resume às lendas despedaçadas de momentos atrás.


Mais um dia, mais uma viagem. Os joelhos recostados começam a adormecer e, sem que eu possa reagir, a gargalhada, as coincidências e a mágica manhã pré-canceriana invadem e dominam tudo aquilo que antes eu poderia (ou pelo menos tentava) chamar de meu. Agora é simplesmente nosso.

3 comentários:

Rodrigo Pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ana E. disse...

sempre tive muita dificuldade em aceitar o imprevisivel... hoje tento me apaixonar pelo caos, mas ele é um caso bem difícil.

Anônimo disse...

pré-cancerígena