sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

No ponto.

Se encontra ali, semi-inerte, e eu correndo desesperadamente. Sete e meia da manhã, sem pestanejar, ainda sob efeito do café com leite entupido de sacarina, finalmente ganho tempo.

"Lá vem a unha rasgando a garganta. A fome, a fúria, o sangue que já se levanta..."

Uma hora, talvez uma hora e meia: o que diabos eu costumo fazer com isso? Ler? A vertigem impede. Pensar? Também, mas o fluxo intermitente de idéias sempre acaba levando a um certo tédio. Falta um pedaço. Palavras cruzadas? (Prova motociclística de resistência - 6 letras). Impossível.

"Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia..."

O vermelho e o verde se intercalam e se isolam; nesse momento, é como se o freio partisse de mim. Avaliações, definições de meio-dia, objetivos que não me pertencem e que me tomam muito mais do que eu gostaria.

Nunca se é tão centrado em si mesmo quanto parece: a coisa é um pouco mais cruel. Os prazos, as censuras, os méritos - tudo isso se aglomera e o passeio pelas ruas do Centro fica pra outra semana. O freio não volta.

"E assim já não posso sofrer no ano passado..."

"You´ve got tombs in yours eyes, but the songs you punched are dreaming..."
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E o esboço de um sorriso. Sempre um novo olhar, a camisa que eu gostaria de ter, uma nova possibilidade que eu jamais conhecerei. Nomes, retratos, destinos... Emaranhar-se por 5 min a um retrato invisível. E a despedida: sem dor e com a certeza do esquecimento.

Preguiça. Por que chegar? Começo a pensar nas escolhas das rotas. 100 m a menos são realmente importantes? Eu fico com o bom-dia macio ao fim da passagem.

"E o Rio de asfalto e gente entorna pelas ladeiras, entope o meio-fio. Esquina, mais de um milhão.
Quero ver então a gente, gente, gente..."

Um comentário:

Anônimo disse...

uma vez um amigo cheirou esmalte, disse que teve a sensação de que controlava tudo o que acontecia na televisão. o freio era seu, e quando o mundo não gira em torno de mim, é porque está parado.