A preguiça cansa só de respirar.
A saudade escancara: adoçante, feijao com arroz, til, 433, abraço de mae...
Começa, porém, a valer. Estradas, dormência, Villazon; com o mesmo papel alumínio crio um invólucro que me dê, enfim, uma certa unidade.
Nem por isso o fracionamento é deixado de lado. Cada pedaço tem uma textura diferente. A fome, porém, é a mesma. O tragar da poeira se mistura à doçura grudenta, e deliciosa, da mermelada.
Porra, que vontade de tomar uma cerveja! E ainda faltam cinco horas... E de repente o sono leva a uma outra cidade. Leve vertigem, Potosí, os dedos se consolam com o bolso enquanto os olhos se divertem com as pessoas e criam as primeiras impressoes. O chá repleto de folhas vai goela adentro. "Esse pessoal exagera um bocado, nem é tao ruim assim."
Menos cem metros, mais tudo: La Paz. A altitude perde para a ansiedade de chegar. O destino oco torna a caminhada ainda mais mágica: ladeiras, praças, cuñapes (ai, que vontade!)...
E aí está a beira do lago! O imenso e o finito ultrapassam fronteiras. O desejo de ficar? Transborda. Mas já é dia 30. Novos trajetos, novos ares...
Aguardem.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Primeiros passos...
Como prometido, cá estou eu trazendo dados, fatos inúteis e todas essas outras bobagens que fazem de uma viagem algo interessante. Bem, vamos por etapas...
Saímos do Rio dia 22 às 16 h e 30 min e chegamos em Posadas por volta das 19h do dia 23. Só esse trajeto já rende muitos textos, mas como tô precisando economizar tempo, dinheiro e o que mais puder faltar... Enfim, acabou se confirmando nossa teoria inicial, qual seja: a viagem seguirá qualquer coisa, menos o roteiro. Nós, que pretendíamos sair de Posadas direto para Salta, tivemos de passar um dia na cidade. Como era de se esperar, ninguém sai ou chega de lugar nenhum no dia 24, restando-nos apenas aproveitar até às 2h da manha (desculpem os problemas gramaticais, mas o teclado ñ é dos melhores...) do dia 25. Nos hospedamos em um hotel baratinho, cuja dona é uma velhinha bastante simpática e que adora novelas brasileiras e conversar, sobre qualquer coisa e com qualquer um.
Diante de tantas possibilidades, decidimos ir ao Paraguai. É, realmente ir ao Paraguai na véspera de natal pode ñ parecer um evento lá muito convidativo e de fato ñ o é. Em dia algum. Fomos a uma das maiores cidades do país (Encarnacion) e o que nos deparamos foi exatamente com a imagem que poderia ser tomada como preconceituosa, etnocêntrica ou qualquer outro tipo de coisa politicamente incorreta: ruas imundas, lama por todos os lados, miséria, todo tipo de cacareco falsificado e tudo isso regido por um calor infernal.
Já à noite em Posadas, depois de um belo macarrao com salsicha, fomos prum boteco fazer hora até a chegada do ônibus. Algumas Quilmes (nossa melhor amiga até agora) depois, pegamos um taxi até a rodoviária. O taxista, por sinal, era uma figura à parte: em 10 min ele conseguiu contar algumas estórias dele, de outras pessoas e uma piada daquelas intermináveis no melhor estilo "três homens - um japonês, um judeu e um gago - morreram e ao chegar no inferno foram perguntados quantas vezes comeram sua mulher durante toda a vida...". Depois de mais algum tempo na rodoviária vazia, preenchida apenas por nós, por outros passageiros e por criancas e vira-latas que vagavam por ali, pegamos o ônibus até Tucuman. A viagem foi longa (cerca de 16h), porém divertida. Muitos filmes questionáveis, palavras cruzadas (confesso: eu trouxe 4 revistas) e músicas que me fizeram ter saudade do Amado Batista. Pausa: reconhecida a dívida.
No final teve até um bingo e eu saí com uma garrafa de vinho, nada mal... De lá, partimos finalmente à Salta. 3h embaladas por "Gladiador" (iei!) e finalmente nos deparamos com "La linda". Ainda ñ foi possível ter muitas percepcoes, mas acredito que passaremos um bom dia nesta cidade. Daqui o próximo destino é La Quiaca e passamos à fronteira com a Bolívia.
O texto pode estar causando um certo estranhamento. Talvez claro e objetivo demais, mas acredito que o que eu quero seja mesmo a falta de entrelinhas. Pelo menos por agora.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
No ponto.
Se encontra ali, semi-inerte, e eu correndo desesperadamente. Sete e meia da manhã, sem pestanejar, ainda sob efeito do café com leite entupido de sacarina, finalmente ganho tempo.
"Lá vem a unha rasgando a garganta. A fome, a fúria, o sangue que já se levanta..."
Uma hora, talvez uma hora e meia: o que diabos eu costumo fazer com isso? Ler? A vertigem impede. Pensar? Também, mas o fluxo intermitente de idéias sempre acaba levando a um certo tédio. Falta um pedaço. Palavras cruzadas? (Prova motociclística de resistência - 6 letras). Impossível.
"Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia..."
O vermelho e o verde se intercalam e se isolam; nesse momento, é como se o freio partisse de mim. Avaliações, definições de meio-dia, objetivos que não me pertencem e que me tomam muito mais do que eu gostaria.
Nunca se é tão centrado em si mesmo quanto parece: a coisa é um pouco mais cruel. Os prazos, as censuras, os méritos - tudo isso se aglomera e o passeio pelas ruas do Centro fica pra outra semana. O freio não volta.
"E assim já não posso sofrer no ano passado..."
"You´ve got tombs in yours eyes, but the songs you punched are dreaming..."
.
.
.
.
E o esboço de um sorriso. Sempre um novo olhar, a camisa que eu gostaria de ter, uma nova possibilidade que eu jamais conhecerei. Nomes, retratos, destinos... Emaranhar-se por 5 min a um retrato invisível. E a despedida: sem dor e com a certeza do esquecimento.
Preguiça. Por que chegar? Começo a pensar nas escolhas das rotas. 100 m a menos são realmente importantes? Eu fico com o bom-dia macio ao fim da passagem.
"E o Rio de asfalto e gente entorna pelas ladeiras, entope o meio-fio. Esquina, mais de um milhão.
Quero ver então a gente, gente, gente..."
"Lá vem a unha rasgando a garganta. A fome, a fúria, o sangue que já se levanta..."
Uma hora, talvez uma hora e meia: o que diabos eu costumo fazer com isso? Ler? A vertigem impede. Pensar? Também, mas o fluxo intermitente de idéias sempre acaba levando a um certo tédio. Falta um pedaço. Palavras cruzadas? (Prova motociclística de resistência - 6 letras). Impossível.
"Um poeta desfolha a bandeira e a manhã tropical se inicia..."
O vermelho e o verde se intercalam e se isolam; nesse momento, é como se o freio partisse de mim. Avaliações, definições de meio-dia, objetivos que não me pertencem e que me tomam muito mais do que eu gostaria.
Nunca se é tão centrado em si mesmo quanto parece: a coisa é um pouco mais cruel. Os prazos, as censuras, os méritos - tudo isso se aglomera e o passeio pelas ruas do Centro fica pra outra semana. O freio não volta.
"E assim já não posso sofrer no ano passado..."
"You´ve got tombs in yours eyes, but the songs you punched are dreaming..."
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E o esboço de um sorriso. Sempre um novo olhar, a camisa que eu gostaria de ter, uma nova possibilidade que eu jamais conhecerei. Nomes, retratos, destinos... Emaranhar-se por 5 min a um retrato invisível. E a despedida: sem dor e com a certeza do esquecimento.
Preguiça. Por que chegar? Começo a pensar nas escolhas das rotas. 100 m a menos são realmente importantes? Eu fico com o bom-dia macio ao fim da passagem.
"E o Rio de asfalto e gente entorna pelas ladeiras, entope o meio-fio. Esquina, mais de um milhão.
Quero ver então a gente, gente, gente..."
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
"Apesar de você" (ou "Casais inteligentes enriquecem juntos")
Enquanto assistente de direção, roteiro, edição, criação, produção e moça do café, me dou ao direito de mostrar. Uma simples avaliação de disciplina? É possível. Com todas os imperativos e restrições que pode um enunciado comportar? Certamente. Mas taí. E eu gostei.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Eu vou lá.
Tal como imaginava, a lacuna na tela traz a sensação de que foi uma idéia idiota. Encerra-se a primeira linha e a certeza traça seus contornos: sim, foi uma idéia idiota. Meses olhando pela janela dos ônibus, os joelhos apoiados no banco da frente e a cabeça sempre pesando, oscilando, tentando se manter erguida e atenta; já estava no Aterro. E mais uma vez - em meio a canções (isso rende outro texto) e pensamentos ao mesmo tempo óbvios e tresloucados - surge o imperativo: espaço.
Muda-se o título.
Sem saber muito bem se era certo, atada às inibições de sempre, abre-se a porta. A entrada acontece."Com licença". Pra ninguém. As paredes ainda parecem estranhas, o piso um tanto escorregadio para as sandálias rasteiras e os dedos longos, o desenho das sancas e as janelas descortinadas...
Mas, aos poucos, vai se tornar meu.
Muda-se o título.
Sem saber muito bem se era certo, atada às inibições de sempre, abre-se a porta. A entrada acontece."Com licença". Pra ninguém. As paredes ainda parecem estranhas, o piso um tanto escorregadio para as sandálias rasteiras e os dedos longos, o desenho das sancas e as janelas descortinadas...
Mas, aos poucos, vai se tornar meu.
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