Sentir o mundo, os objetos, quem está ao redor.
E ser capaz de representar, pôr a fantasia em circulação.
Com regras?
Sim.
Mesmo a mais solitária das brincadeiras tem seus acordos.
Faz parte do jogo.
Os sentimentos passeiam, se tocam, se deixam pegar sem medo.
Afinal
A falha, as negativas, a necessidade de alcançar
Tudo chega com a intensidade
E ainda a fluidez daquilo que pode ir embora quando se muda o trato.
Eu não quis brincar?
Desejei a tarde sob o sol no quintal
O choro pontual de quem vê o novo sonho logo ali
Eu não quis jogar.
Pensei ser capaz de levar a sério e crescer diante do branco
Torná-lo meu, mostrar minha penumbra de tal forma
Que ele a desejasse.
As marcas do pilão foram deixadas.
Eu não quis brincar.
Diante de mim, somente a grande árvore
Incólume ao meu desejo
Ponho meu corpo no chão
Sinto a terra
Como aquilo que me constrói
E que agora me convoca.
Com desejo, temor, euforia, paixão
Completude
E mesmo a pretensa racionalidade do menino que sobrevive ao rio.
Sem abandono
E diante daquilo que não compreendo
Preservo, mantenho-o vivo.
Em meio à certeza do pensamento
Me entrego ao salto no escuro
Dessa vez, é tudo.